Estão a ser identificados casos de contaminados com idades mais avançadas

Dez por cento dos casos notificados, nos últimos tempos, correspondem a pessoas com mais de 50 anos.

 

Em 2017, foram notificados 11 novos casos de infeção por VIH e dois de SIDA, na Madeira. Desde 1983 e até 2017 registaram-se 642 casos de VIH e 199 de SIDA. Este problema de saúde continua a alastrar, conforme confirmou ontem, ao JM, Rogério Gouveia, presidente da delegação regional da Madeira da Fundação Portuguesa 'A Comunidade Contra a Sida', à margem de uma iniciativa subordinada ao tema 'A infeção VIH/ Sida não tem idade' e que decorreu no Centro de Estudos e História do Atlântico (CEHA), sobre o tema em questão.

 

 

Rogério Gouveia explicou que ao longo de 2017 e 2018, a delegação tem vindo a investir muito mais na população sénior, uma vez que a Região tem verificado que, tal como no resto do país, há cada vez mais idosos a receberem desagradáveis informações sobre este problema. Por outro lado e já este ano, a delegação regional realizou 200 ações de prevenção envolvendo 3.500 pessoas. Rogério Gouveia fez questão de salientar uma campanha pontual, denominada 'Não vais neste bailinho' e que foi destinada a todos aqueles que participaram em festas de verão.

 

“É preciso saber dizer 'Não!´”, defendeu.

 

Filomena Frazão de Aguiar, presidente da Fundação, diz que ainda esta semana houve o rastreio e algumas pessoas que nunca pensaram estar infetadas fizeram o teste pela primeira vez e foram reativas, pelo que tiveram de ser reencaminhadas para o hospital. O panorama não é famoso e ainda há muito para fazer. No entender de Filomena Frazão de Aguiar, enquanto a terapêutica da SIDA evoluiu imenso nos últimos tempos, as pessoas continuam a ter poucos cuidados na prevenção. Há pouco ou nenhum investimento na área da prevenção. De resto, o acesso aos cuidados de saúde está melhor mas ainda temos esperas que são inconcebíveis em determinados locais. “Temos cada vez mais jovens e cada vez mais idosos. Então nos idosos, temos vindo a nos surpreender todos os dias”, afirmou a presidente da Fundação Portuguesa 'A Comunidade Contra a Sida'. A conferência contou com o apoio da Câmara Municipal do Funchal e do Governo Regional.

 

Herberto Jesus foi quem representou o Executivo madeirense na conferência que ontem decorreu no CEHA e aproveitou a oportunidade para defender a importância de a sociedade mudar comportamentos. Hoje em dia, a SIDA tem tratamento, é verdade. Mas as pessoas devem viver para a saúde e não para a doença. Por si e pelos gastos que os governos têm para tratar as doenças. “A Fundação A Comunidade Contra a Sida' e outras apoiadas pelo Governo Regional são importantes para a prevenção”, afirmou Herberto Jesus, o qual admitiu que apesar de haver doenças que hoje em dia são crónicas e que deixaram de ser tão temidas, é preciso e urgente tomar medidas preventivas. No entender de Herberto Jesus, o problema é cada vez mais preocupante. Hoje em dia, 10% dos casos notificados na Madeira correspondem a pessoas com mais de 50 anos. Antigamente, a esmagadora maioria era detetada em jovens com 19, 20 e 21 anos. “Que cada um de vós seja um agente de mudança!”, apelou o presidente do IASAÚDE.

 

Carla Ribeiro

 

In “JM-Madeira”