Desenvolvido pela Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP), o primeiro estudo nacional analisou atitudes, desejos e necessidades na diabetes.

 

O risco de hipoglicemias noturnas e o desenvolvimento de complicações são as principais preocupações dos familiares de diabéticos, segundo o primeiro estudo nacional que analisa atitudes, desejos e necessidades na diabetes. O estudo foi levado pela Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal e contou com o apoio da farmacêutica Novo Nordisk.

 

O estudo Diabetes, Attitudes, Wishes & Needs (DAWN) envolveu 540 participantes, entre os quais pessoas com diabetes tipo 1 e 2, familiares e cuidadores. Para o efeito foram realizados inquéritos. O estudo integra uma rede de especialistas e organizações de 17 países, como a Federação Internacional de Diabetes (IDF), a Aliança das Organizações Internacionais de doentes (IAPO) e agora também a APDP têm iniciado desde 2011 o projeto DAWN com o objetivo de aumentar o conhecimento e a sensibilização sobre as necessidades por satisfazer das pessoas com diabetes e dos seus familiares, para melhorar o diálogo e a colaboração e potenciar o envolvimento das pessoas, aumentando a autogestão e o apoio psicossocial no tratamento da diabetes.

 

Para quem vive com esta doença, o impacto negativo da diabetes é sentido, principalmente, ao nível da saúde física: 63% nas pessoas com diabetes tipo 1 e 49% nas pessoas com diabetes tipo 2. A diabetes também afeta o bem-estar emocional em 56% (tipo 1) e 42% (tipo 2) dos casos.

 

Entre as principais preocupações dos familiares de diabéticos destaca-se o risco de hipoglicemias (descidas de açúcar no sangue) noturnas (64%) e o desenvolvimento de complicações (51%). A importância de receberem mais informação sobre a doença é sentida por 81% dos familiares de diabéticos que procuram também a melhor forma de apoiar o doente (82%).

 

Tanto as pessoas com diabetes como os seus familiares consideram que a sociedade tem de encontrar respostas mais eficazes no diagnóstico e no tratamento precoce (92%) e na acessibilidade à alimentação saudável e à prática de atividade física em locais adaptados e seguros.

 

O estudo indica que 68% das pessoas com diabetes tipo 1 e cerca de 40% das pessoas com diabetes tipo 2 consideram que têm uma boa qualidade de vida. Contudo, referem que a diabetes tem um impacto negativo na sua saúde física e bem-estar emocional.

 

De acordo com as conclusões do estudo, cerca de 63% das pessoas diagnosticadas com diabetes tipo 1 e 49% das pessoas com diabetes tipo 2 sentem um impacto negativo na saúde física devido à sua doença.

 

O bem-estar emocional é apontado como a segunda maior causa, com 56% e 42%, respetivamente. A investigação refere que seis em dez diabéticos estão preocupados com o seu futuro e com a possibilidade de ocorrerem complicações sérias.

 

Sobre a qualidade de vida das pessoas com diabetes tipo 1, os inquiridos apresentam uma percentagem “bastante positiva”: 68% considera que tem uma boa ou muito boa qualidade de vida.

 

A maioria dos familiares sente-se preocupada com o futuro e a possibilidade de a pessoa com quem vive desenvolver complicações graves. Segundo as conclusões do estudo, mais de 80% dos familiares e cuidadores gostariam de saber como melhor apoiar as pessoas de quem cuidam, bem como consideram muito importante receber mais informação geral sobre a diabetes.

 

Para a coordenadora do estudo da APDP, a enfermeira Dulce de Ó, “há ainda muitos aspetos que podem ser melhorados, tanto da parte da experiência das pessoas com diabetes, como dos seus familiares e cuidadores”.

 

 “Viver melhor com a diabetes pode contribuir para promover a qualidade de vida das pessoas e há uma necessidade de se melhorar o apoio aos familiares, para melhor compreenderem a sua intervenção no dia a dia da pessoa de quem cuidam. A sociedade tem também um papel muito importante para aumentar o apoio às pessoas que vivem com diabetes e suas famílias”, disse.

 

O presidente da APDP, José Manuel Boavida, sublinha um dos resultados e que se refere ao apoio na informação e na educação que as pessoas com diabetes, familiares e cuidadores gostariam de ver desenvolvido nos próximos tempos e que ainda não existe a nível nacional, que é a criação de uma linha de apoio.

 

 “Esta resposta mostra que as pessoas procuram um acompanhamento para além das visitas regulares ao médico que facilite o acesso à informação, melhorando assim a sua qualidade de vida” realça José Manuel Boavida.

 

In “Saúde Online”