Associação, no Pico do Funcho, com 27 anos de existência, acolhe 90 utentes e presta apoio a 200

 

Miguel Albuquerque exalta que estes custos “têm que ser assumidos por uma sociedade direcionada para a humanização das relações entre todos nós”.

 

Governo Regional concretizou ontem, através da assinatura do respetivo protocolo, o reforço do apoio à Associação de Paralisia Cerebral da Madeira (APCM), uma instituição com quase 27 anos e que há oito anos e meio viu 'brindada' a sua dedicação a esta causa, com as novas instalações, no Pico do Funcho. Miguel Albuquerque, que enquanto presidente da Câmara do Funchal estivera já na origem da inauguração do modelar edifício, explicou que este é mais um passo concretizado no compromisso que o seu Executivo assumiu no seu programa, o do reforço das funções sociais.

 

O espaço integra um lar residencial, com com 50 internados e 37 num regime aberto, em que vão passar as noites com os seus familiares, acolhendo ainda cerca de outras duas centenas, neste caso no centro de atividades ocupacionais e cuidados clínicos, como seja ao nível do próprio apoio médico, terapia da fala, reabilitação física, entre outros, numa mobilização geral de cerca de 70 colaboradores.

 

Ao JM, o presidente do Governo Regional exalta que “esta é uma instituição que funciona muito bem. Evidentemente que tem custos bastante elevados, mas este dinheiro é muito bem aplicado, no tratamento de pessoas que precisam de um apoio permanente”. Assim sendo, e

 

“no sentido de continuarmos a nossa política de apoio social, de termos uma área de apoio humanizado aos extratos da nossa população mais vulneráveis, decidimos já para o fecho deste ano fazer um reforço da verba de apoio à APCM, no valor de 142 mil euros. Em 2017 apoiámos em 820 mil euros, mas devido às necessidades de funcionamento, decidimos fazer este reforço, ascendendo o apoio no corrente ano a 962 mil euros. Para 2018, estamos já a considerar no orçamento, um reforço mais ou menos equivalente”.

 

Miguel Albuquerque, que esteve acompanhado de Rita Andrade, secretária regional que tutela esta matéria, lembra que “esta é uma instituição que funciona a partir do apoio dos privados – empresas e famílias – mas é fundamental que o governo, através da Segurança Social, tenha aqui também um papel decisivo”, frisando que “cada pessoa que aqui está internada, precisa de um cuidador quase em exclusivo”. E esses custos, acentua Miguel Albuquerque, “têm que ser assumidos por uma sociedade civilizada e uma sociedade direcionada para a humanização das relações entre todos nós”. De resto, entende, “uma das grandes etapas deste segundo ciclo da governação é o reforço dos apoios sociais às instituições e mais uma vez viemos aqui cumprir aquilo que dissemos”.

 

José Carlos Silva é o presidente da APCM. Assinado o protocolo, revelou-se “muito satisfeito”,  porque “era imprescindível recebermos este reforço do protocolo que temos com a Segurança Social. Esta aposta do Governo Regional na economia social tem sido muito positiva, porque são aqueles que precisam mais e esses é que têm de ter, em primeira instância, um apoio direto do Estado e congratulo-me, naturalmente, pela efetivação desse apoio”.

 

Prosseguindo, destaca que “existimos há 27 anos e esperamos que a instituição continue por muitos anos a prestar um serviço, que julgo ser de excelência, aos nossos utentes. A instituição toca diariamente em cerca de 90 pessoas e a sua qualidade de vida mudou muito desde que a APCM foi fundada”, a 4 de abril de 1991, por um grupo de pais e técnicos, sem fins lucrativos e com o propósito de dar resposta ao nível residencial, ocupacional e de reabilitação a cidadãos e famílias de jovens e adultos portadores de paralisia cerebral ou doenças neurológicas afins.

David Spranger

 

In “Jornal da Madeira”